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Em seminário, trabalhadores debatem desafios da indústria no Brasil

Publicado em 18 de junho de 2018 | destaque, Notícias

Seminário realizado em São Paulo debateu “Desafios da Indústria no Brasil e os Trabalhadores e Trabalhadoras”. O evento foi organizado pelo Instituto Trabalho, Indústria e Desenvolvimento (TID Brasil) e Macrossetor da Indústria da CUT, com apoio da Fundação Perseu Abramo.

A atividade contou com a participação de 160 representantes dos trabalhadores dos ramos químico, vestuário, metalúrgico, construção civil, alimentação e eletricitários/sinergia.

A primeira mesa do Seminário teve como tema a “Transição para um novo paradigma tecnológico: que lugar caberá para o Brasil?”. Em sua intervenção, o professor Demetrio Toledo, da Universidade Federal do ABC, apresentou as revoluções tecnológicas sob o olhar da socióloga venezuelana Carlota Perez.

De acordo com estudos dela, a primeira revolução tecnológica se deu em 1771 com a energia hidráulica e da manufatura têxtil; a segunda foi a partir de 1929 com a era do vapor e das ferrovias; já a terceira foi em 1975 com o aço, eletricidade e engenharia pesada; em 1908 entra a era do petróleo, automóvel e produção em massa; e por último, em 1971, a era da informação e telecomunicações.

“Atualmente, o Brasil está completando a quarta revolução tecnológica, mas o mundo já está terminando a quinta e dando início a sexta. Quando achamos que o Brasil iria avançar, a indústria no mundo surge com novos paradigmas de tecnologias de produção. As novas revoluções tecnológicas alteram radicalmente o modelo tecnológico vigente”, afirmou Toledo.

Segundo o professor, principais líderes do novo paradigma tecnológico são Alemanha, China e Estados Unidos. “O desenvolvimento industrial e tecnológico não existe sem o outro, por isso é preciso pensar conjuntamente, e estes países fazem isso com excelência. As novas tecnologias terão novos processos de fabricação e, consequentemente, a redução do emprego na indústria”, disse. “Com essas revoluções tecnológicas, a gente vai ter que pensar uma política industrial e uma política de emprego de formas autônomas”, completou.

Já para João Furtado, professor e economista, a indústria é essencial para uma nação porque é através dela que nascem novos processos de produção. “A indústria é o ramo que tem alta eficácia. Por exemplo, em 1800, a população mundial era de 1,4 bilhão e a mão de obra era majoritariamente agrícola, mas a humanidade passava fome. Em 2000, a população era de 7 bilhões e apenas 5% de mão de obra na agricultura. Hoje as pessoas passam fome porque não tem dinheiro. Mas foi a partir da produção industrial que a distribuição de alimentos foi possível”, contou.

“O desafio não é trazer para as fábricas a indústria 4.0, mas é de como seremos capazes de permitir que as empresas se digitalizem e criem no Brasil. Modernizar todas as empresas, inclusive as pequenas, que empregam milhões de brasileiros”, completou.

(Fonte: Shayane Servilha, assessoria de imprensa da CNM/CUT)

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